Quartis, percentis e boxplot: cálculo e interpretação

A mediana divide uma lista ordenada ao meio. Os quartis ajudam a localizar seus quartos; os percentis indicam posições em uma escala de cem partes. O boxplot reúne informações sobre o centro e a dispersão dos dados em um gráfico.

1. O que são quartis?

Imagine os tempos de espera de várias pessoas, organizados do menor para o maior. Queremos saber até onde vai o primeiro quarto da lista, onde está o meio e onde termina o terceiro quarto. Os três valores usados como referências são os quartis:

QuartilNomeO que indica
Q₁Primeiro quartilA referência de aproximadamente 25% da distribuição ordenada.
Q₂Segundo quartilO meio da distribuição: é a mediana, referência de 50%.
Q₃Terceiro quartilA referência de aproximadamente 75% da distribuição ordenada.

São três referências para quatro partes, assim como três marcas internas podem dividir uma fita em quatro trechos. Aqui, porém, buscamos partes com quantidades semelhantes de observações, e não intervalos de mesma largura.

Por exemplo, Q₁ = 4,5 minutos indica a referência do primeiro quarto dos tempos; não significa que 25% das pessoas esperaram exatamente 4,5 minutos. Em listas pequenas ou com valores repetidos, a divisão percentual não precisa ser exata.

2. Como calcular os quartis passo a passo

Há diferentes métodos para calcular quartis. Nesta página, usaremos as medianas das metades: primeiro encontramos a mediana da lista inteira; depois calculamos a mediana da metade inferior e a da metade superior. Quando a quantidade total é ímpar, deixamos a mediana geral fora das duas metades. Em exercícios e programas, confira qual método foi solicitado.

Exemplo 1 — tempos de espera de oito pessoas

Os tempos, em minutos, já estão em ordem: 2, 4, 5, 7, 8, 10, 12 e 30. Cada tempo corresponde a uma pessoa.

Tempos em ordem crescente (minutos)1ª22ª43ª54ª75ª86ª107ª128ª30Q₁ = 4,5Q₂ = 7,5Q₃ = 11As caixas mostram posições; os espaços não são uma escala de tempo.
Neste exemplo, cada um dos quatro grupos tem duas observações. Os quartis são calculados entre os pares indicados.

Passo 1 — encontre Q₂, a mediana geral

São 8 valores. Os dois centrais estão na 4ª e na 5ª posições: 7 e 8. Então:

Q2=7+82=7,5

Passo 2 — encontre Q₁ na metade inferior

A metade inferior é 2, 4, 5, 7. Seus dois valores centrais são 4 e 5:

Q1=4+52=4,5

Passo 3 — encontre Q₃ na metade superior

A metade superior é 8, 10, 12, 30. Seus dois valores centrais são 10 e 12:

Q3=10+122=11

Resultado: Q₁ = 4,5 min; Q₂ = 7,5 min; Q₃ = 11 min. Os quartis não precisam ser valores presentes na lista.

E se houver uma quantidade ímpar de valores?

Na lista 1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, a mediana é 7. Pelo método adotado aqui, excluímos esse 7 ao formar as metades:

  • Metade inferior: 1, 3, 5 → Q₁ = 3.
  • Mediana geral: Q₂ = 7.
  • Metade superior: 9, 11, 13 → Q₃ = 11.

3. Percentis: uma posição relativa ao grupo

Os percentis ampliam a mesma ideia para uma escala de cem partes. O percentil 25, escrito P₂₅, corresponde ao primeiro quartil; P₅₀ corresponde à mediana; P₇₅ corresponde ao terceiro quartil. Essas correspondências devem ser interpretadas usando um método de cálculo compatível.

Um percentil é um valor de referência; seu número indica a posição percentual. Por exemplo, P₉₀ = 82 pontos informa que a referência do percentil 90 é a nota 82. O número 90 é a posição percentual, enquanto 82 é uma nota.

Exemplo 2 — percentil não é porcentagem de acertos

Considere 100 estudantes com notas diferentes, ordenadas da menor para a maior. Para este exemplo, usamos a regra de tomar a 90ª nota como P₉₀. Se essa nota for 82 pontos, então P₉₀ = 82 pontos.

100 notas diferentes, em ordem crescente90 notas10P₉₀: nota da 90ª posição
Neste exemplo sem empates, há 90 notas menores ou iguais a 82 e 10 notas maiores.

Estar nessa posição indica desempenho elevado em relação a esse grupo. Não informa que o estudante acertou 90% da prova. A porcentagem de acertos depende da pontuação máxima; o percentil depende da comparação com as notas dos outros estudantes.

Em grupos de outros tamanhos, com empates ou com métodos que interpolam valores, o cálculo pode ser diferente e as proporções podem ser aproximadas. Por isso, a regra de posição usada no exemplo não deve ser aplicada automaticamente a qualquer exercício.

4. Boxplot: como ler o gráfico de caixa

O boxplot, também chamado de diagrama de caixa, resume a distribuição em uma escala numérica. Ele permite observar onde está o centro, quanto os dados centrais variam e se há valores afastados do restante.

Vamos usar os mesmos oito tempos de espera do primeiro exemplo. Primeiro, veja a caixa, o traço central e os segmentos laterais, chamados de bigodes:

048121620242832Q₁ = 4,5Mediana = 7,5Q₃ = 1121230
Tempos em minutos. Q₁ = 4,5; mediana = 7,5; Q₃ = 11. A seguir, veremos por que os bigodes terminam em 2 e 12 e o valor 30 fica separado.
Parte do gráficoComo ler neste exemplo
Borda esquerda da caixaÉ Q₁ = 4,5 minutos.
Traço laranja dentro da caixaÉ a mediana: 7,5 minutos. Não é a média.
Borda direita da caixaÉ Q₃ = 11 minutos.
Caixa inteiraVai de Q₁ a Q₃ e representa a região dos 50% centrais dos dados, aproximadamente.
BigodesVão até os valores observados mais extremos que não foram sinalizados pelo critério explicado abaixo: 2 e 12.
Ponto separadoÉ o tempo de 30 minutos, sinalizado como potencialmente atípico.

O comprimento da caixa indica dispersão, não quantidade de pessoas. Uma caixa mais longa significa maior distância entre Q₁ e Q₃. Ao comparar boxplots, os eixos precisam usar a mesma escala. O gráfico não mostra todos os valores individuais nem permite descobrir a moda, em geral.

5. Por que o valor 30 aparece separado?

Primeiro calculamos a amplitude interquartil, abreviada como AIQ: a distância entre Q₃ e Q₁. Ela mede a largura da caixa.

AIQ=Q3−Q1=11−4,5=6,5 min

No tipo de boxplot adotado aqui, calculamos dois limites, também chamados de cercas. Um valor abaixo do limite inferior ou acima do superior é desenhado como um ponto separado:

Limite inferior=Q1−1,5·AIQ
Limite superior=Q3+1,5·AIQ

Aplicando os limites aos oito tempos

  1. Multiplicamos a AIQ por 1,5: 1,5 · 6,5 = 9,75.
  2. Limite inferior: 4,5 − 9,75 = −5,25 minutos.
  3. Limite superior: 11 + 9,75 = 20,75 minutos.
  4. Como 30 é maior que 20,75, desenhamos 30 como ponto separado.
  5. Os tempos não sinalizados são 2, 4, 5, 7, 8, 10 e 12. Os extremos dessa lista são 2 e 12: são as pontas dos bigodes.

Os bigodes não terminam nas cercas −5,25 e 20,75. Eles terminam em valores realmente observados que estão dentro dos limites. O limite inferior negativo é apenas um resultado da regra; não significa que alguém esperou um tempo negativo.

Um valor sinalizado é um potencial valor atípico, também chamado de outlier. Ele pode ser legítimo: uma pessoa pode, de fato, ter esperado muito mais que as outras. O gráfico sugere investigar o caso; não autoriza apagar o dado automaticamente. Existem boxplots com outras regras para os bigodes, então confira a legenda.

Confira se entendeu

Considere os valores ordenados 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14 e 16. Pelo método das medianas das metades, quais são Q₁, Q₂ e Q₃? Qual é a AIQ?

Ver resolução

A mediana geral está entre 8 e 10: Q₂ = 9. Na metade inferior, 2, 4, 6, 8, a mediana está entre 4 e 6: Q₁ = 5. Na metade superior, 10, 12, 14, 16, a mediana está entre 12 e 14: Q₃ = 13.

AIQ = 13 − 5 = 8. A caixa do boxplot vai de 5 a 13, com o traço da mediana em 9.

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Como referenciar: "Estatística" em Só Matemática. Virtuous Tecnologia da Informação, 1998-2026. Consultado em 05/11/2026 às 09:01. Disponível na Internet em https://www.somatematica.com.br/estat/basica/quartis.php

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