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Educação Financeira: uma Formação para a Vida (pagina 2)

O Brasil e a Educação Financeira

A Constituição Federal de 1988 garante o direito de todos à educação e a população percebe a sua necessidade. Dessa forma, o Estado e a família, juntamente com a sociedade, passaram a ter responsabilidades e seu papel definido como de extrema importância na educação dos indivíduos, conforme descreve o artigo 205 da Constituição Federal:

A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988, p.37).

Para Araújo e Souza (2012, p.14), o conceito que melhor define educação financeira, é o estabelecido pela Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) como:

O processo pelo qual consumidores e investidores melhoram sua compreensão sobre conceitos e produtos financeiros e, por meio de informação, instrução e orientação objetiva, desenvolvem habilidades e adquirem confiança para se tornarem mais conscientes das oportunidades e dos riscos financeiros, para fazerem escolhas bem informadas e saberem onde ajudar ao adotarem outras ações efetivas que melhorem o seu bem-estar e a sua proteção (ARAÚJO, SOUZA, 2012, p.14).

Nos anos de 2010 e 2011 a educação financeira surge como projeto piloto em seis estados brasileiros, mobilizando vários estudantes e professores, o resultado foi avaliado rigorosamente pelo Banco Mundial, o qual constatou que, através da educação financeira, os jovens adquirem maior capacidade de poupar, de fazer lista de despesas mensais, de negociar preços e meios de pagamento ao realizar compras, além de construir planos pessoais para alcançar seus objetivos. Neste projeto piloto, no qual os pais dos alunos foram envolvidos, houve também melhorias no relacionamento entre eles, no diálogo sobre questões financeiras, como por exemplo, orçamento doméstico e familiar. (BRASIL, 2013, p.15).

O dever das escolas é formar jovens preparados para a vida, para enfrentar as mais diversas situações cotidianas. A educação financeira deveria ser matéria obrigatória em todas as escolas e faculdades do país, pois a maioria dos indivíduos quando entra no mercado de trabalho e começa a ganhar seus primeiros centavos, passa a utilizá-los de forma inadequada e talvez passem a vida inteira como escravos das dívidas. A grande maioria das escolas ainda não possui uma disciplina para ensinar como se deve agir diante do dinheiro e acabam formando analfabetos financeiros.

Isso explica porque muitas pessoas que têm um grau de estudo elevado, vivem cheias de dívidas, enquanto outras que não tiveram chance ou oportunidade de estudar são ricas. Essas pessoas aprenderam desde cedo, mesmo que não de forma direta o valor do dinheiro. Se o indivíduo for educado e conviver com as diversas práticas de conhecimento financeiro, ela terá facilidade para conseguir usar o dinheiro de forma inteligente a seu favor (KRÜGER, 2014, p.91 .KRUMMENAUER, 2011, p.33).

Segundo especialistas, a formação em educação financeira deve ser inserida na grade curricular do ensino fundamental, para promover nas crianças a cultura de planejamento com seus gastos e o consumo consciente, entre outros benefícios (ROGOGINSKI, SANTOS, MACHADO, 2009, p.10).

A inserção da disciplina Educação Financeira nas escolas é de grande relevância social, independente da forma que a matéria será tratada, seja por meio de disciplina específica de Educação Financeira, ou tema transversal, como já ocorre muitas vezes na disciplina de matemática ao relatar tarefas que lidam com o dinheiro, como a matemática financeira, apoiando não apenas as ações do cálculo correto como também ensinando a orçar, poupar e equilibrar recursos financeiros, sendo um grande passo para diversos problemas no país.

A escola deve desempenhar seu papel na construção do saber crítico de cada cidadão e, consequentemente, na formação de pessoas conscientes e preparadas para os problemas vivenciados em seu dia a dia. A escola é o principal agente educacional na formação dos cidadãos, com grande potencial em contribuir para a Educação Financeira dos jovens, considerando que, um país que demonstra preocupação em diminuir as diferenças sociais, não deve deixar de participar efetivamente da vida de seus cidadãos e naquilo que possa contribuir para uma sociedade mais ética, justa e igualitária. Assim sendo, a escola tem um papel importante em educar as pessoas no sentido de contribuir para a diminuição dessa desigualdade social e econômica. Professores e gestores precisam ser capacitados para educar e influenciar uma geração de jovens mais equilibrados e conscientes com o futuro financeiro (TEIXEIRA, et al., 2010, p.74. RESENDE, 2013, p.17. THEODORO, 2008, p.6).

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