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Código e Arte: A Etnomatemática dos Incas

Monia Andreia Tomieiro BUENO

Resumo

A grandeza da civilização Inca não se evidenciou apenas em suas técnicas de engenharia, mas também na maneira como esta civilização organizou seu Estado, criando, para tanto, um sistema de cordas – os quipus - para registro alfanumérico, usados nos séculos XV e XVI para codificar suas informações e resolver problemas numéricos.

Este trabalho enfoca a etnomatemática desta civilização, visando a compreensão da maneira particular como esta conhecia, entendia, explicava e organizava seus conhecimentos matemáticos. Para tanto, partimos da análise dos quipus como sistema de escrita codificada que relaciona arte em sua construção e matemática em sua estrutura.

Reconhecendo a matemática como um sistema de codificação que permite descrever, trabalhar, entender e controlar a realidade, a análise matemática dos quipus representou um avanço em sua decodificação e evidenciou sua importância como fonte de informação histórica.

Palavras-chave

Etnomatemática dos incas, quipus incas, cultura inca, alfabeto Runa Simi, Inca.

Introdução

O império Inca se originou da junção de grupos indígenas que tiveram em comum governo, religião e idioma, mas que possuíram origens culturais distintas.

Este fato, não só influenciou o aspecto cultural, mas também o desenvolvimento da matemática inca. Os quipus podem ser descritos como um sistema formado pela reunião de cordas de diversas cores com nós. A análise das cores, do posicionamento das cordas e dos nós constituem elementos de origem lógico-numérica (Ascher & Ascher, 1981).

Apesar de não terem usado um sistema de escrita que representasse a palavra falada, especula-se a existência da escrita Runa Simi na cultura inca, até então considerada oficialmente como ágrafa. Esta escrita fundamenta-se na tríplice equivalência entre os números, que são representados por nós (laços) nos quipus, certos caracteres geométricos desenhados em tecidos e cerâmicas e as dez consoantes do idioma inca, Quechua. Esta hipótese faz desta linguagem, por sua característica alfanumérica, algo inexplicável até agora e de grande importância na investigação etnomatemática e antropohistórica, porque permite avançar na decodificação dos quipus (Acevedo, 1994).

No estudo da matemática inca, existem dois aspectos a serem considerados: a representação de números por meio de nós (laços) nos quipus e a representação de palavras por meio de números. Embora estejam relacionados, estes dois aspectos são distintos.

Material e métodos

Os quipus estudados neste trabalho foram retirados do livro Code of the Quipu de Marcia Ascher e Robert Ascher (1981).

As palavras-número, em Quechua, analisadas neste trabalho foram retiradas do artigo La yupana incaica: elemento histórico como instrumento pedagógico de Clara Lucía Higuera Acevedo (1994).
Metodologia fundamentada em pesquisa etnográfica qualitativa, fazendo uso da cultura, tradições e costumes incas.

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Como referenciar: "Código e Arte: A Etnomatemática dos Incas" em Só Matemática. Virtuous Tecnologia da Informação, 1998-2019. Consultado em 17/10/2019 às 04:43. Disponível na Internet em https://www.somatematica.com.br/artigos/a7/