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O Lúdico como ferramenta no ensino da Matemática (pagina 2)

Metodologia

Como método para a realização deste trabalho, foram realizadas pesquisas: exploratória, com o objetivo de transmitir uma boa compreensão e precisão sobre o tema abordado, teórica, pois foi necessário ter um embasamento acerca do pensamento de alguns autores, para que pudesse explicar melhor o assunto levantado e qualitativa, pois um assunto de grande relevância precisa ser aprofundado para que se tenha um entendimento das pessoas envolvidas, professor/aluno.

Foram feitos estudos em trabalhos como: artigos, tccs, teses, monografias entre outros, dos quais tratavam de assuntos que tinham relação com o lúdico como ferramenta no ensino de matemática. E a partir desses trabalhos foi feito uma pesquisa bibliográfica para obtenção de dados importantes que pudessem enriquecer este trabalho, por meio de pensamentos de alguns autores que defendiam e consideravam o assunto importante.

Para facilitar a pesquisa, foram usadas palavras chaves como: o lúdico no ensino de matemática, a importância do lúdico no processo ensino aprendizagem da matemática, lúdico como instrumento no ensino, a importância dos jogos na educação matemática.

Fundamentação teórica

Lúdico

Qualidade daquilo que estimula através da fantasia, do divertimento ou da brincadeira. Trata-se de um conceito bastante utilizado na educação, principalmente a partir da criação da ideia de “jardim de infância”, por Friedrich Froebel, que defendia o uso pedagógico de jogos e brinquedos, que deviam ser organizados e sutilmente dirigidos pelo professor. Mais tarde, vários educadores, como Piaget e Montessori, alertaram para a importância do lúdico na educação.

Segundo Vygotsky, por exemplo, o lúdico influencia muito o desenvolvimento da criança, pois é através do jogo que a criança aprende a agir, tem a curiosidade estimulada, adquire iniciativa e autoconfiança, além de proporcionar o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração.

O lúdico também se origina na capacidade simbólica, na qual as imagens são consideradas fundamentais para instrumentalizar a criança, visando a construção do conhecimento e sua socialização.

Hoje, existe um consenso de que o lúdico é fator determinante na aprendizagem da criança. O ensino utilizando meios lúdicos criaria ambiente gratificantes e atraentes servindo como estímulo para o desenvolvimento integral da criança. Por isso, no âmbito do universo lúdico, foram criadas as brinquedotecas, os jogos educativos, os brinquedos pedagógicos e outros materiais. Fonte: educabrasil.com.br/ludico/.

De acordo com o pensamento de Santos (2001:37): “O comportamento lúdico não é um comportamento herdado, ele á adquirido pelas influências que recebemos no decorrer da evolução dos processos de desenvolvimento e aprendizagem”. E essa construção pode ser feita pelo professor em suas aulas, enxergando as atividades lúdicas como um componente importante para a vida dos seres humanos, em especial as crianças, proporcionando momentos de prazer, diversão e aprendizado.

Santos (2001:35) afirma ainda que: “Assim sendo, o lúdico deve ser constante na vida dos seres humanos, desde o início de suas vidas até a velhice”. Por desenvolver-se com maior facilidade ao brincar.

Segundo Almeida “o lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano (estudo das relações entre fenômenos psíquicos e fisiológicos). E que as implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo”.

Desta forma ao ser inserido no ambiente escolar como parte do processo ensino aprendizagem, esse termo deixa de ser relacionado apenas só ao brincar por diversão e passatempo, e começa a ser um contribuinte nesse processo, dando mais ânimo aos estudantes, principalmente nas séries iniciais, visando a disciplina de matemática, que ainda é vista como uma disciplina difícil, com cálculos e fórmulas, mas que pode ser mudado esse entendimento com relação ao ensino de matemática.

Cabe também ao educador mudar essa ideia na mente de seus educandos, buscando novas formas de ensinar a matemática, mudando sua prática, buscando outros caminhos que possam favorecer nesse aprendizado. Mostrar que o brincar pode ser um meio importante e que por ele também há aprendizado, quando se trata de um brincar com responsabilidade e com um único objetivo, o de educar.

Volpato afirma que:

“O brincar na escola não pode - nem deve – ser o mesmo que brincar em casa, não se tratando do recreio, pois, o brincar na escola se define numa formação responsável pela socialização e aprendizagem da criança. No entanto maioria dos professores sente dificuldade em conciliar o jogo e a brincadeira em sala de aula, sendo às vezes negados pelo fato de pensarem que vai provocar indisciplina. Várias vezes, o lúdico é confundido com material concreto para ensinar matemática, como jogo da memória, dados, bingos de diversos tipos, entre outros. Nessa modalidade a atividade corre risco de não ser utilizada como mediadora de aprendizagens significativas para a criança, pois deve ser uma forma prazerosa de desenvolvimento visando a aprendizagem”. (Volpato, 2002,p.97)

O conceito lúdico é usado por muitos educadores, por ser um grande aliado auxiliando em suas aulas, tornando assim mais agradáveis e prazerosas, tanto para o aluno, como para o professor, pois com esse pensamento lúdico, pretende-se melhorar a auto estima, o aprendizado, o interesse pela as aulas, o raciocínio e uma vontade de aprender matemática de uma forma diferente, porém divertida.

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A importância do lúdico no ensino de matemática nas séries iniciais

De acordo com o PCN, 2001, p.26, “A matemática surgiu na antiguidade por necessidades da vida cotidiana, converteu-se em um imenso sistema de variadas e extensas disciplinas, como as demais ciências, reflete as leis sociais e serve de poderoso instrumento para o conhecimento do mundo e domínio da natureza”. (PCN, 2001, p.26). E pela necessidade o homem da época, sem possuir ainda uma formalização de conceitos matemáticos e numéricos, precisou contar, medir, calcular. E com o passar do tempo foi aprimorada através dos estudos e se tornando uma disciplina/uma ciência com características próprias.

É uma disciplina considerada por muitos estudantes como difícil, complexa, simplesmente por estarem relacionando somente as fórmulas e cálculos e acabam sentindo dificuldades para assimilarem os conteúdos quando não demonstram interesses, por não compreenderem, por não fazerem relação com seu cotidiano, e não percebem que bem antes de sua entrada nas instituições a matemática já faz de alguma forma, parte de sua vida.

Logo na infância a criança inicia sua vida estudantil, e a parti daí começa o processo de alfabetização, e todas as disciplinas que fazem parte desse processo, inclusive a matemática que deve ser transmitida de forma bem elaborada para que futuramente os estudantes não venham a ter maiores dificuldades. Com isso surge a ideia de inserir o lúdico no ensino de matemática, trabalhar dando ênfase nas atividades através do brincar, principalmente no ensino fundamental nos anos iniciais.

Em Vygotsky, percebemos que o ato de brincar é importante, pois possibilita ao indivíduo atuar em um nível cognitivo superior ao seu e isso impulsiona o desenvolvimento, além disso, o observador precisa estar preparado para distinguir nas atitudes das crianças, ações ou procedimentos que demonstrem os sinais dos critérios necessários para uma boa formação cognitiva, e até afetivo-social do aluno. A criança brinca pela necessidade de agir em relação ao mundo mais amplo dos adultos e não apenas ao universo dos objetos a que ela tem acesso (REGO, 2000, p. 82).

As crianças demonstram prazer em aprender, agir, e enfrentar os desafios seguros e confiantes, quando aprendem através de atividades lúdicas, elas produzem conhecimentos, nas experiências que são capazes de proporcionar o envolvimento do individuo que brinca. Por isso, é de fundamental importância que o professor utilize os jogos na sala de aula, estimulando os alunos para o desenvolvimento dos conteúdos propostos. Uma vez que o “objetivo dos professores de matemática deverá ser o de ajudar as pessoas a entender a matemática e encorajá-las a acreditar que é natural e agradável continuar a usar e aprender matemática como uma parte sensível, natural e agradável”, diz (BRITO 2001, P. 43).

Segundo BORIN (1996),

“Outro motivo para a introdução de jogos nas aulas de matemática é a possibilidade de diminuir bloqueios apresentados por muitos de nossos alunos que temem a matemática e sentem-se incapacitados para aprendê-la. Dentro da situação de jogo, onde é impossível uma atitude passiva, e a motivação é grande, notamos que, ao mesmo tempo em que esses alunos falam matemática, apresentam também um melhor desempenho e atitudes mais positivas frente a seus processos de aprendizagem”. (BORIN,1996,9)

Os jogos são um recurso pedagógico eficaz se forem bem articulados e planejados pelo professor, contribuindo assim para a construção do conhecimento matemático da criança.

As frustrações e os pensamentos negativos com relação ao ensino de matemática deixarão de existir quando for colocado em prática o pensamento de que é de grande importância unir aos conceitos matemáticos, o lúdico, o brincar através dos jogos, deixando claro aos estudantes que estudar matemática também pode ser divertido, pode ser prazeroso.

A contribuição dos jogos no processo de alfabetização matemática

KISHIMOTO, p:106, afirma que “ a introdução dos jogos na escola primária não é bem vista”, isso acontece por que muitos educadores ainda estão presos e preocupados em não poder fugir daquilo que tem que ser trabalhado em sala com seus estudantes, cumprir com uma grade curricular e que mais tarde será cobrado, porém isso não pode nem deve ser um empecilho, o professor pode trabalhar qualquer que seja o conteúdo com auxilio da ludicidade, inserindo os jogos em suas aulas dando mais prazer aos seus estudantes que demonstram desinteresse pelas aulas de matemática por não apresentarem nenhuma novidade.

Segue uma afirmação de FRIEDMANN, 1996:15,

“Na escola “não dá tempo para brincar”, justificam os educadores. Por quê? Há evidentemente um programa de ensino a ser cumprido e, objetivos a serem atingidos, para cada faixa etária. Com isso, o jogo fica relegado ao pátio destinado a preencher intervalos de tempo entre aulas. Entretanto, o jogo pode e deve fazer parte das atividades e curriculares, sobretudo nos níveis pré-escolar e de 1º grau, e ter um tempo preestabelecido durante o planejamento, na sala de aula”. (FRIEDMANN, 1996, p.15).

Segundo Macedo Et Al, 200:24, “qualquer jogo pode ser utilizado quando o objetivo é propor atividades que favorecem a aquisição do conhecimento. A questão não está no material, mas no modo como ele é explorado pode-se dizer, portanto, que serve qualquer jogo mas não de qualquer jeito”. Devem ser utilizados com objetivos educativos, considerando os jogos como facilitadores da aprendizagem na disciplina de matemática.

Nesse momento destaco como importante o pensamento de Kishimoto (2000), que diz: "Para o desenvolvimento do raciocínio lógico matemático, o mediador deve organizar jogos voltados para classificação, seriação, seqüência, espaço, tempo e medidas". A introdução de jogos como recurso didático nas aulas de matemática é tido como facilitador, como um contribuinte, uma vez que os estudantes ainda apresentam medo, receios com relação a disciplina e os jogos acabam diminuindo os bloqueios apresentados pelos estudantes, com relação à matemática, considerando assim o lúdico como ferramenta no aprendizado.

Não podendo esquecer que, quando se trata de crianças, elas não conseguem ficar concentradas por muito tempo se não estiverem atraídas por algo que está sendo repassado durante as aulas. Sendo assim vale ressaltar o pensamento de LOPES, quando diz,

“Um dos pontos importantes para que o professor possa atualizar sua metodologia é perceber que a criança de hoje é extremamente questionadora, não “engole” os conteúdos despejados sobre ela sem saber por que, ou, principalmente para quê. Portanto, o professor deve preocupar-se muito em saber sobre como a criança aprende do que como ensinar. (LOPES, 2001, p: 22).

Neste sentido entende-se que o professor deve ser criativo, buscar e adequar as melhores formas de transmitir determinado conteúdo para o seu aluno. E o jogo é e pode servir de ferramenta fundamental na metodologia utilizada pelo professor no ensino da matemática quando trabalhado de forma lúdica. As autoras SMOLE, DINIZ E CÂNDIDO (2007), do livro Cadernos do Mathema Jogos de matemática de 1º ao 5º ano, apresentam jogos que contribuem para o ensino de matemática nos primeiros anos, eis aqui alguns deles: JOGO "A MAIOR VENCE", Este jogo: Auxilia os alunos a justificar as respostas e o processo de resolução de um problema, a comparar quantidades, a ler e interpretar escritas numéricas, tendo com recursos um jogo de 40 cartas numeradas de 11 a 50. Onde as crianças poderão utilizar diferentes critérios para comparação dos números, como, por exemplo, pela posição que um número ocupa na sequência numérica, pela identificação de qual dos números tem mais unidades, dezenas ou centenas, ou mesmo pela análise do primeiro algarismo de cada número apresentado nos cartões.(SMOLE, DINIZ E CÂNDIDO, 2007, p. 25).

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Outro jogo é "BORBOLETA" jogo este que pode ser usado para que: aprendam a fazer cálculo mental; resolver problemas envolvendo a adição; fazer comparações de quantidades, tendo como recursos todas as cartas do baralho, exceto reis, damas e valetes. (SMOLE, DINIZ E CÂNDIDO (2007, p.55), Cita também o jogo " UM EXATO" este jogo auxilia: a reconhecer e nomear números naturais; a justificar respostas; a efetuar adições e subtrações mentalmente com auxilio de: um quadro da centena numerado, três dados e 15 marcadores diferentes para cada jogador.

(SMOLE, DINIZ E CÂNDIDO, 2070, p.43), Cita também o Jogo " FAÇA 10" que favorece: a compreensão da contagem; noções de adição; e o cálculo mental, nesse jogo será usado 36 cartas de um baralho normal, sem os 10, as figuras e os coringas (cartas de ás a 9 de todos os naipes). (SMOLE, DINIZ E CÂNDIDO, 2007, p.29). dentre outros, que citam no texto e que contribuem de forma positiva para o processo de alfabetização matemática no ensino infantil e fundamental I.

FRIEDMANN, fala a respeito do jogo como facilitador no aprendizado das crianças:

“O jogo não é somente um divertimento ou uma recreação. Não é necessário provar que os jogos em grupo, é uma atividade natural e que satisfazem á atividade humana; o que é necessário é justificar seu uso dentro da sala de aula. As crianças muitas vezes aprendem mais por meio dos jogos em grupo do que de lições e exercícios”. (FRIEDMANN,1996, p.35).

De nada adiantará se elas não se sentirem atraídas pelo que está sendo transmitido pela forma como está sendo feita, se a forma tradicional com lições e exercícios não funcionarem, cabe ao educador procurar as melhores formas e maneiras de fazer essa transmissão, sendo ela de forma lúdica e contextualizada, visando a realidade dos próprios estudantes, dar significado ao que está sendo trabalhado para então repassar aos mesmos.

FRIEDMANN, destaca ainda que,

“No jogo, a criança pode experimentar tanto nas convenções estipuladas pela sociedade como as variações dessas convenções. Assim, durante o jogo a criança pode escolher entre aceitar ou discordar de certas convenções, promovendo seu desenvolvimento social. O jogo oferece, muitas vezes, a possibilidade de aprender sobre solução de conflitos, negociação, lealdade e estratégias, tanto de cooperação como de competição social. (FRIEDMANN,1996, p.65)

Como educadores matemáticos, devemos procurar alternativas para melhorar o ensino e motivar os estudantes para que possam aprender a matemática, como nas palavras de (OLIVEIRA, 2007, p. 5),

Ensinar Matemática é desenvolver o raciocínio lógico, estimular o pensamento independente, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Nós como educadores matemáticos, devemos procurar alternativas para aumentar a motivação para a aprendizagem, desenvolver a autoconfiança, a organização, a concentração, estimulando a socialização e aumentando as interações do indivíduo com outras pessoas. (OLIVEIRA, 2007, p. 5).

A importância de se trabalhar inserindo os jogos, além de estar melhorando suas aulas, tornando-a mais agradáveis, outros pontos importantes em seus estudantes também poderão ser observados, como na afirmação de FORTUNA, 2002:21,

“Através dos jogos podemos descobrir a personalidade da criança pois ela demonstra o que sente e que tipo de temperamento que possui: tímida, inquieta, agressiva, alegre, calma, temperamental, líder, egoísta, teimosa, intrometida, nervosa, etc. Podemos canalizar os temperamentos e modificar o comportamento das crianças enquanto são ainda pequenas, mais tarde podem surgir problemas de ordem psíquica difíceis de serem controlados. Por isso, a importância da recreação do mundo infantil. Elas aprendem aceitar os outros, controlar suas emoções, expandir seus sentimentos, criar novas situações e a conviver em grupos respeitando a individualidade de cada um.” (FORTUNA, 2002:21)

Aulas atrativas chamam atenção e incentivam o interesse dos estudantes pelas aulas de matemática. Quando é colocado o jogo com o objetivo de facilitar o ensino da disciplina, o aluno terá mais prazer em estudar, porém essa prática tem que ser bem elaborada, bem trabalhada e dirigida pelo educador, não se deve em nenhum momento trazer um determinado jogo para passar o tempo da criança na escola sem nenhum fundamento e que não acrescente em nada na vida estudantil daquela criança. Tem que dar sentido, significado, ter os jogos, a ludicidade como um aliado em suas aulas, deixando-a mais rica e favorável a todos os envolvidos, professor/aluno.

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