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Uma axiomática para o Jogo da Vida

Postulado do Encantamento (PE): É um completo mistério o milagre da autoconsciência; entretanto, coisas existentes não podem vir do nada. Logo, coisas não existem e a realidade é uma ficção, ou apenas uma imaginação da autoconsciência. Em particular, a autoconsciência não existe. Em outras palavras, uma coisa causa implica outra coisa causa e, portanto, um regresso ad infinitum absurdo para o matemático do JVI. Ser autoconsciente significa ser, tão somente, autoconsciente e qualquer empolgação que extrapole para a suposição de existência é apenas um encantamento.

Hipótese da Interneuro (HI): o milagre da autoconsciência produziu, concomitantemente, a consciência do outro porque, se não, como a autoconsciência poderia delimitar-se? O "eu e os outros" surgem ao mesmo tempo. Ou seja, uma rede de consciências, que interagem por razões desconhecidas e são autoconscientes, é dada desde o despertar da autoconsciência. Portanto, uma autoconsciência não tem como se livrar da Interneuro.

O matemático e o Jogo Exterior III

O matemático do JVI poderia dedicar à memória de Carl Gustav Jung suas imaginações axiomáticas acerca da psique e do Jogo da Vida. Um pouco antes de morrer, Jung manifestou interesse na estrutura axiomática da Matemática como, talvez, um novo modelo para se compreender mais sobre a estrutura da psique.

Zigmund Freud foi o pioneiro, provavelmente, da imaginação mais interessante a respeito do inconsciente psíquico: este é o verdadeiro senhor do reino psíquico e o domina por meio de estrutura e padrões ocultos à autoconsciência.

Para o matemático do JVI, qual estrutura axiomática poderia modelar o mistério das relações entre matéria, vida e psique?

Inspirado nas fascinantes sugestões de Freud e Jung, mas provavelmente deformando seus universos teóricos que, aliás, são distintos, o matemático do JVI poderia imaginar com humildade, reconhecendo sua completa ignorância acerca de problemas de tal complexidade, que um mistério produziu a matéria psíquica inconsciente e outro produziu o impulso da consciência. Por algum motivo, a matéria adquiriu o poder de se imaginar.

Para o matemático do JVI, um universo é a imaginação de um impulso em evolução, é a história de um campo energético, enfim, é a evolução de um “Ser” misterioso.

Evolução de um “Ser” significa, para o matemático do JVI, que imaginações obedecem a imaginações “regras” ou imaginações “padrões” e por isso essas imaginações “são”. Por alguma razão, parte desse Ser torna-se capaz de imaginar que é, de imaginar que obedece a regras ou segue padrões que o obriga a imaginar. É o milagre da matéria instintiva, dotada de pulsões, mas que ainda é inconsciente de si própria, que ainda só produz imaginações de primeiro nível, embora já seja capaz de individualizar-se, isto é, de imaginar-se como unidade distinta de outras unidades do Ser.

Consciência, mesmo que apenas instintiva ou de primeiro nível, implica consciência de unidade em conjunto com unidades imanentes.

De fato, animais irracionais são, provavelmente, uma imaginação da matéria nesse estado. A consciência deles se restringe às imaginações da matéria acerca de seus instintos e pulsões, mas apenas no nível de percepções imediatas, que não se percebem a si mesmas.

Entretanto, têm consciência de que são unidades e do que fazer com as outras unidades que lhe são imanentes.

Se, por alguma razão, as imaginações da psique primitiva, ou matéria consciente em estágio inicial ou de primeiro nível, evoluem e passam a ser capazes de se autoimaginar, então a psique deixa de ser primitiva, por definição, e alcança o segundo nível de imaginação, isto é, a capacidade de imaginar-se imaginando.

A nova capacidade pode não ter poder para interferir no primeiro nível, ao menos significativamente. A produção de imaginações de primeiro nível continua, sua estrutura e seus padrões não são modificados pelo segundo nível de consciência, pelo menos, talvez, até um certo estágio de evolução.

Este último pode, naturalmente, imaginar-se como indivíduo, pois esta capacidade já estava presente no primeiro nível. Entretanto, agora, essa imaginação se generaliza para um universo de individualidades.

A razão da percepção individual está perdida na história da evolução da matéria em direção ao estado de informação, isto é, em direção à psique. Como a imaginação de imaginações implica na imaginação do tempo ordenado e linear, é inevitável a imaginação do que vem antes da imaginação da autoconsciência sobre si própria.

A psique, em segundo nível, imagina-se imaginando. Portanto, ela imagina a imaginação de que imagina, e assim por diante.

A imaginação do regresso ad infinitum de imaginações de imaginações é inevitável à psique autoconsciente, isto é, àquela capaz de se posicionar em segundo nível. O regresso ad infinitum de imaginações é a própria constituição automática dos números naturais:

= 0 = imag ( ) ≡ imaginação instintiva do vazio [imag. de nível 1]
{} = 1 ≡ imag (imaginação instintiva do vazio) [imag. de nível 2]
{, {}} = {0, 1} = 2 ≡ imag (imag ( ), imag (imag ( )) [imag. de nível 2]
{, {}, {, {}}} = {0, 1, 2} = 3 ≡
imag (imag ( ), imag (imag ( ), imag (imag ( ), imag (imag ( )))
  [imag. de nível 2]
{0, 1, 2, ... , n - 1 } = n
...

Ser consciente em segundo nível implica em imaginar-se como unidade que, por sua vez, implica em imaginar unidades imanentes aparentemente semelhantes. Uma unidade não poderia imaginar-se enquanto tal caso não imaginasse simultaneamente outras unidades. Por essa razão, se algum universo for consciente, então será capaz de imaginar-se uma unidade dentre outras e imaginar a imaginação delas sobre si. Portanto, se o universo for consciente, haverá outros universos conscientes em sua consciência.

Animais irracionais imaginam-se, como unidades e, portanto, imaginam a imaginação das outras unidades sobre si, embora, provavelmente, não sejam capazes de imaginar-se imaginando. Os números naturais implicam a sucessão e, portanto, implicam a imaginação do tempo, isto é, a imaginação do antes e do depois. É inevitável, e automático, portanto, a imaginação da autotransformação e da origem de todas as unidades imaginadas.

É inevitável, portanto, a imaginação do regresso ad infinitum de causas. Assim, a psique posicionada em segundo nível estabelece, pela sua própria natureza, a impossibilidade da causa primeira.

Esse é o teorema da dissonância cognitiva fundamental:

TDCF: coisas não existem porque teriam que ser causadas (ou criadas) gerando um processo causador em regresso ad infinitum.

Todavia, coisas possuem um “Ser”. Se coisas não existem, então o que é o “Ser”? E o que é “realidade”?

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