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QUAIS CONSEQUÊNCIAS TRAZ A POSTURA DOCENTE AUTORITARISTA SOBRE OS ALUNOS?

 

O professor não deve ser autoritário nem alienado em sala de aula. Deve ser sujeito, ser amigo dos alunos, compreensivo e companheiro, deve ter a mentalidade aberta e acompanhar o processo de construção do conhecimento no seu aluno, agindo como agente entre os objetos do saber e a aprendizagem. Deve ser para o aluno seu decifrador de códigos e receptor de muitas linguagens.

 

Um professor que desempenha sua prática autoritariamente influencia sua classe à indisciplina, pois sua prática não permita aos alunos, oportunidades plenas para o seu desenvolvimento cognitivo, não permite que ele estabeleça relações entre a experiência vivenciada por ele com a teoria ensinada na escola, ou seja, ele não consegue construir o conhecimento de forma significativa. Essa prática docente não oferece condições aos alunos para que eles despertem suas potencialidades, a fim de alcançarem sua auto-realização, preparação para o trabalho e exercício da cidadania.

 

A idéia de professores autoritários, que agem de modo tradicionalista, em sala de aula está inserida na mentalidade dos pais, porque ocorre aos pais que os docentes têm que se ocupar com uma classe silenciosa, com os alunos calados e sentados um atrás do outro e mantendo-se longe dos professores.

 

Nos dias de hoje o professor tem a função de educar para o convívio familiar, além do social, conforme afirma Içami Tiba, sobre a responsabilidade que está nos ombros dos professores: “Os professores não foram capacitados para essa nova função em seus cursos de formação. Existe um descompasso entre essa capacidade e a solicitação dos pais em relação à educação dos seus filhos”, (p. 15, 1998).

Os modelos tradicionais de ensino, que modelam o professor autoritarista geram nos alunos, violência e revolta, desenvolvidas pelas pressões e frustrações inerentes a escola tradicional, sem contar que não há aprendizagem com significação quando o professor é autoritário, pois, conforme afirma Lima (p. 56, 2003): “[...] este não dá oportunidade de seus alunos se expressarem, pois eles são adestrados e treinados para ocuparem um único lugar na sociedade, o de servos fiéis do sistema”.

 

É sabido que não é interessante para a cúpula política, que tenhamos cidadãos autônomos, que lutem por seus direitos exercendo a cidadania. Cabe então a escola, no papel de educadora autoritarista, reprodutora de um modelo condicionante, o de fazer com que esses futuros cidadãos, sejam adestrados desde pequenos para obedecerem ao sistema.

Quem é o professor autoritarista? Conforme nos afirma Antunes (p. 57, 2002):

 
[...] é aquele que entra na sala de aula acreditando que é o único conhecedor da verdade, despeja a matéria sem se preocupar com o que aluno já conhece sobre o assunto. Esse tipo de docente parece uma cascata de conhecimentos, não se preocupa como o aluno interpreta a informação que ele passa, ou seja, de que forma a afirmação chega até o aluno, pois, ele ignora o conhecimento de mundo que o aluno traz consigo. Ele trata a turma como se todos os alunos tivessem a mesma facilidade de aprender, ele não respeita a individualidade dos seus alunos, que faz com que nem todos aprendam da mesma maneira.

Esse professor é metódico, e com ele não acontece interação professor/aluno. A turma que está inserida nesse contexto rende muito mal, pois as crianças submetem-se a violência desse professor que julga ter autoridade.

O sistema educacional que ainda adotamos é fruto de escolas antigas: a estrutura escolar é a mesma, e a postura do professor também. Queremos que nossas crianças, futuros cidadãos, sejam ativos, participativos, atuantes na sociedade. Desempenhando seu papel social com criticidade e responsabilidade.

 

Professores e professoras: Como conseguiremos fazer do nosso aluno um cidadão ativo, se o obrigamos a sentar 4 (quatro) horas (ou mais) a nos ouvir sem interrupções? Como queremos que lute por seus direitos, se quando ele ergue a mão para nos questionar ou mesmo colocar suas idéias, mandamos que ele se cale? Como poderemos ajudá-lo a brigar contra as injustiças sociais se temos medo ou vergonha de falar sobre o preconceito em sala de aula? E como serão pessoas totalmente realizadas se a escola é para elas um castigo, uma obrigação imposta pela sociedade? O que realmente deve ser mudada é a postura docente frente aos alunos.

 

A nós, professores e professoras, portanto, cabe contribuir para que nossos alunos imaginem, criem, analisem, inventem, para que realmente se efetive nele uma aprendizagem de qualidade. Que venha a formar um cidadão que não tenha medo de se colocar diante de uma situação que não lhe é satisfatória, criticando, opinando, se impondo.

 

Percebe-se, que todos os fundamentos da aprendizagem significativa e do ensino construtivista, chegam a um ponto comum: é impossível ao professor ensinar ao aluno sem resgatar os saberes e valores que estes trazem de casa. Para que este ato se concretize, é indispensável ao professor escutar seus alunos, e é indispensável ao aluno que fale ao seu professor e a seus colegas.

 

Quando o professor em sala de aula se coloca como autoritário, e coroa-se o rei do saber, não deixando seus alunos falarem, mantendo-os sentados em fila e copiando o conteúdo, o aluno torna-se um ser passivo, sem reação, ou muitas vezes, essa situação o leva à indisciplina.

O aluno sente-se preso, sem poder opinar e falar sobre o que pensa a respeito do assunto em pauta. É sempre mandado ficar em silêncio para não atrapalhar a aula exposta pelo professor. Isso gera no aluno uma vontade incontrolável de se rebelar, de chamar a atenção de algum modo, para que o professor acorde e o deixe falar, expressar-se, e quando não consegue a atenção necessária, acaba adquirindo problemas de indisciplina.

 

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