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Antonio Geloneze


Eno Cardoso

 

Coluna publicada em 14/11/2011

A Partida, uma delicada prova de que tudo equivale a nada
 

 

Magnífico filme suficientemente corajoso para enfrentar o problema da fragilidade humana frente à morte. Um fascinante exemplo de jogo da vida de um indivíduo que descobre, por acaso, que para ter qualidade de vida só havia o caminho da dedicação ao acondicionamento dos corpos mortos para a despedida de amigos e parentes antes da cremação.

 

Um interessante ensaio do jogo da vida de um indivíduo em busca de qualidade de vida apresentado com beleza, delicadeza, humor e amor, sugerindo que a vida equivale à morte e, reciprocamente, a morte equivale à vida. Oportunidade ímpar para que o MJVI (matemático do jogo da vida do indivíduo) ponha à prova suas hipóteses mais fundamentais. 

 

O Axioma Fundamental para o MJVI admite que não existem criadores e, portanto, não existem coisas porque estas teriam que ser criadas por um criador.

 

O que são, então, essas coisas que aparecem à autoconsciência do indivíduo? São seres! O que são eles? São exatamente aquilo que parecem ser: seres que aparecem! Aparecem à autoconsciência sem que esta possa impedir que apareçam. O MJVI prefere descrevê-los como imaginações, produtos da psique, esta, por sua vez, matéria em estado de informação, portanto, um tipo misterioso de energia, que incessantemente imagina, incluindo a imaginação de si própria imaginando.

 

Com abundância de imaginações, não há nada que impeça a autoconsciência de experimentar o exagero, o encantamento doentio, as fantasias pervertidas, a hipótese de que se é muito mais do que se pode e, portanto, a conseqüente frustração, o desespero do vazio. 

 

Para o MJVI, autoconsciência nada mais é do que essa misteriosa imaginação que imagina um mundo de coisas e voltada para si própria. Assim, autoconsciência é para si, e não em si! Se Descartes dissesse “penso, logo existo”, então o MJVI o refutaria dizendo “imagino, logo apenas imagino”. Não há razão alguma para que o MJVI salte do imagino para o existo. Trata-se de um salto sobre um abismo insondável e incontornável. Sua razão para a recusa veemente baseia-se em seu Axioma Fundamental.

 

A ciência procurou durante séculos a essência da coisa e a localizou em partículas, mais recentemente em cordas e membranas multidimensionais, mas quando tentou delas se aproximar para observar o seu âmago esbarrou na dificuldade intransponível do Princípio da Incerteza e do inalcançável comprimento 10-35 m de Planck. Procura há séculos a origem da vida, ou sua causa, mas por mais progressos que tenha feito, perde-se em hipóteses cada vez mais sofisticadas, complicadas e inobserváveis, e um número exponencialmente maior de novos desconhecimentos. O MJVI não se surpreende porque, caso a origem da vida fosse observada, o observador teria a chave para se tornar um criador, o que é impossível pelo Axioma Fundamental.

 

Não é sem motivo que Daigo encontra-se perdido quanto ao que fazer com o início de sua vida adulta. Imagina que uma vida de prazer seria tocar violoncelo ganhando dinheiro para sempre e por todo o mundo. Logo descobre que esse prazer é ilusório, assim como seu talento. Há muitos outros muito melhores com o violoncelo. De repente, percebe que está muito difícil viver de um modo aceitável e prazeroso. Resolve voltar à sua cidade de origem para afastar a falência pessoal e para diminuir despesas, já que a produção de receitas nos grandes centros urbanos parece inviável.

 

As dúvidas de sempre, arquetípicas de toda autoconsciência, assolam-no. Quem sou eu? Por que me sinto tão inexpressivo e desimportante? Para onde devo ir? O que devo fazer?

 

Encontra, acidentalmente, uma oportunidade de ganhar um bom dinheiro como acondicionador de defuntos. A maioria das autoconsciências parece ser incapaz de tal proeza. A razão parece ser a de que não têm preparo, ou interesse, para encarar o problema do ser da morte e, portanto, do ser da vida, como será gentilmente demonstrado nessa profunda e delicada narração acerca do drama da existência humana.

 

Daigo foge desse padrão, não tem preconceitos sérios contra defuntos, embora seu olfato e seu estômago precisem se adaptar aos desagradáveis odores de corpos humanos em decomposição. Entretanto, o início da adaptação não é fácil, porque sua imaginação sobre seu próprio corpo, e sobre os demais corpos vivos, entra em crise, e precisa se transformar para ser suportável. A busca desesperada pelo corpo de Mika sugere uma tentativa de anular a nova imaginação da possibilidade de que seu próprio corpo não seja diferente daquele da idosa em estado putrefato com odor insuportável, sendo distinguidos apenas por um certo intervalo de tempo.

 

Para o MJVI, a matéria recebe, misteriosamente, um incentivo para viver traduzido no famoso Princípio de Prazer postulado por Freud. A verdadeira satisfação de estar vivo, para Freud, só pode ser realizada por meio do corpo. A Partida aborda brilhantemente esse problema fundamental de toda autoconsciência, o de saber o que fazer com seu corpo. É difícil imaginar um problema mais sério do que esse para uma autoconsciência, porque se trata de sua mais profunda imaginação sobre si mesma, a base última de sua segurança diante da surpresa ou do espanto de se imaginar viva. Pelo Princípio de Prazer, a vida deve ser vivida com satisfação, que só pode ser, em última instância, corporal

 

Um mistério atraiu parte da matéria do universo para a vida, mas teve que lhe acenar com a possibilidade de imaginar prazeres e de satisfazê-los por meio do corpo. Entretanto, não pôde lhe ensinar como. A autoconsciência tem que inventar uma maneira de fazer isso. Grande parte do problema parece ser que, embora o corpo seja o meio de satisfação dos prazeres da vida individual, é muito difícil que o consiga sem o contato com um outro corpo.

 

A Partida ilustra bem esse fato, o corpo do outro é importante mesmo na forma de defunto. O filme emociona porque qualquer autoconsciência imediatamente se reconhece no corpo de Daigo e se solidariza com seu drama na busca de qualidade de vida. Mais ainda, qualquer autoconsciência está longe de saber o que fazer com seu próprio corpo. Antes de tudo, uma autoconsciência se pergunta se deve fazer algo com ele. Incapaz de responder, a autoconsciência intui, mesmo assim, que seu corpo é, de alguma maneira, fundamental para si.

 

A mulher de Daigo descobre que seu marido não pode abandonar o trato dos corpos mortos para manter-se vivo e que ela própria, para manter seu corpo vivo e o novo corpo que cresce dentro do seu, tem que aceitar o convívio com corpos mortos que deu vida ao corpo do marido. Acaba percebendo com humildade e ternura que vida e morte são inseparáveis.

 

Para o MJVI, a sugestão é que o jogo da vida do indivíduo não tem um ganhador, nem um perdedor. A qualidade de vida é alcançada proporcionalmente à desmistificação de encantos imodestos, de desejos e fantasias impensados, e de hipóteses transcendentais que desrespeitem e anulem o corpo. Era melhor que a casa de banho não fosse mesmo vendida para a rica construtora edificar um monumental condomínio. O filho da decidida proprietária precisou sofrer a dor da ausência de quem parecia eterna para perceber o quanto seu amor inconsciente por ela dera lugar a inumanos encantos e fantasias.

 

Um filme inesquecível, daqueles raros que justificam a importância do cinema.

 

Para o MJVI, passam a ser quatro as obras cinematográficas que dificilmente poderão ser superadas, no máximo equiparadas, como exemplos da razão pela qual um indivíduo deveria ir ao cinema, ou como ilustrações emocionantes do jogo da vida do indivíduo. As outras três são a trilogia de Godfrey Reggio com música de Philip Glass. 

 

Koyaanisqatsi: Life out of Balance, 1982, cinematografia de  Ron Fricke, Powaqqatsi: Life in Transformation, 1988, Naqoyqatsi: Life as War, editado por Jon Kane. Há certamente, alguns outros filmes que podem ser equiparados a esses quatro, no sentido acima, mas são raros.

 

 

 

 

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