|
As
Ternas Pitagóricas
A
teoria dos números é a área da matemática que investiga relações
profundas e sutis entre os números inteiros positivos. Pitágoras e
seus seguidores ligaram tais números à geometria e, dessa forma,
iniciou-se uma das vertentes mais bem sucedida da teoria dos números,
a saber o binômio: aritmética e geometria. Por volta de 1700 AC
foram encontradas, na Babilônia, tabelas contendo listas de ternas
de números inteiros com a propriedade de que um dos números quando
elevado ao quadrado era igual à soma dos quadrados dos outros dois.
Como tais listas eram extensas, acredita-se que os Babilônios já
possuíam um método sistemático de gerar tais ternas. Há
registros históricos que comprovam a existência e uso de tais
tabelas no Egito antigo.Considere os quadrados dos números naturais
1², 2², 3², 4², 5²,... . Se tomarmos a soma de dois quadrados,
eventualmente obteremos como resultado um outro quadrado. O exemplo
mais famoso desse fato é: 3²+4²=5², mas existem outros exemplos:
5²+12² = 13², 20²+21² = 29², e muitos outros. Contudo 2²+3²
=13 não é um quadrado. Portanto, é natural perguntar se existe um
número infinito de ternas Pitagóricas. A resposta é afirmativa e
o motivo é muito simples: se (x, y, z) é uma terna Pitagórica,
então ao multiplicá-la por um inteiro positivo c, obtemos (cx, cy,
cz) que é uma nova terna Pitagórica, pois, (cx)²+(cy)²= c²(x²+y²)
= c²z² = (cz)². Por outro lado essas ternas não são as mais
interessantes e então definimos ternas primitivas, ou seja, aquelas
em que a, b, e c não possuem fator comum e satisfazem à relação
x²+y² = z².
Por
outro lado, os Pitagóricos estavam interessados nos triângulos retângulos
cujos catetos têm comprimento inteiro x e y e o comprimento z da
hipotenusa se relaciona com x e y de modo que z² = x²+y². Tal
relação é o o famoso Teorema de Pitágoras. A procura de todos os
inteiros positivos que satisfazem à identidade x²+y²=z² é
equivalente ao problema de se determinar todos os triângulos retângulos
cujos lados são inteiros.
Os Pitagóricos
foram, por volta de 600 AC, os primeiros a dar um método de
determinação de infinitas ternas desse tipo, hoje denominadas de
ternas Pitagóricas. Utilizando uma notação atual descrevemos o método
da seguinte maneira: sejam x = n,
y = 1(n²–
1), z = 1
(n² + 1) onde n é um inteiro ímpar maior que 1; então a terna resultante (x, y, z) é uma terna Pitagórica onde z =
y + 1. Observe alguns exemplos: 3² + 4² = 5², 5² + 12² = 13²,
7² + 24² = 25², 9² + 40² = 41², 11² + 60² = 61². Observe
que existem outras ternas além dessas: por exemplo, quando z = y +
2, ou seja, 8² + 15² = 17², 12² + 35² = 37², 16² + 63² = 99²,
20² + 65² = 101². O filósofo Platão (430 – 349 AC) encontrou
um outro método para determinar todas essas ternas, que em notação
moderna são as fórmulas: x = 4n, y = 4n² – 1, z = 4n² +1. O
matemático grego Tales de Mileto provocou uma mudança substancial
no conhecimento quando transformou
a matemática que até então era praticada como alguma forma
de numerologia em uma ciência dedutiva. Por volta de 300 AC, quando
Euclides publicou a coleção de 13 livros denominada Elementos,
todos os fatos matemáticos apresentados foram demonstrados
formalmente. No décimo livro, Euclides deu um método de obtenção
de todas as ternas Pitagóricas. Apesar de não apresentar uma
demonstração formal do seu método, Euclides obtinha todas as
ternas. Utilizando-se a notação atual, o método consiste nas
seguintes fórmulas: x = t(a²-b²), y = 2tab, z = t(a²+b²) onde
t, a, e b, são inteiros positivos arbitrários tais que a>b, a e
b não possuem fatores em comum, e se a é ímpar então b é par e
vice-versa. Isso resolve completamente o problema natural de se
saber quais são todas
as ternas Pitagóricas.
|