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OBSERVANDO, ENTENDENDO E TRABALHANDO AS DIFICULDADES

Vamos observar o processo de raciocínio da pessoa, para entender seu estilo cognitivo de aprendizagem,só então intervir de maneira adequada:

  • A criança está tendo inabilidade para contar números para trás ou para frente de dois em dois ou de três em três. Salta a numeração, desorganiza-se, fica nervosa, logo quer desistir. A ansiedade, o medo de errar, começam a instalar-se na vida afetiva da criança, temos que ter o cuidado para proporcionar uma forma de sucesso, melhorando a auto estima e confiança. Este comportamento aparece com freqüência, pela fragilidade de percepção corporal-espacial, como conseqüência alterações na orientação, lateralidade e seqüência. Exercícios que ajudam: dê os vizinhos (usando como apoio uma régua numerada), jogos que usem dados, dominó, resta um, dama, ludo, brincadeiras e atividades desportivas. Resumindo, atividades que exercitem movimentos para frente e para trás, mas sempre de forma lúdica e divertida.

  • O aluno numa conta de adição: 8 + 3. Geralmente começaria a contagem de oito, porém o disléxico vai começar do 0 ou 1, 2, 3,4... até chegar no oito e depois começar: 0 ou 1, 2, 3. Isto ocorre freqüentemente pela falta de compreensão dos traços gerais do número, da ordem, estrutura seqüencial. Eles precisam sempre do referencial (início, meio e fim). Usar os dedinhos, palitos de sorvetes, palitos de fósforo, clips, contas, canudinhos, contador, ábaco...

  • Este mesmo comportamento pode acontecer numa conta de multiplicação: 3x 4. Ele irá começar por 3 x 1,... É importante ensinar a multiplicação como uma adição simplificada. Usar um modelo concreto. Precisamos mostrar o modelo mental na prática, nunca decorar a tabuada mecanicamente. O que precisamos ensinar é como se chega ao resultado. Por exemplo:

3 x 5 = 15

Tenho três vezes o número cinco. Coloco um desenho representando o processo. Manter sempre a unidade e dezena nos lugares correspondentes:

  • Usualmente a criança com dislexia poderá fazer confusões nos sinais (+) da adição e (x) da multiplicação. Sugiro usar cores diferentes para destacá-los. Mas a cor deverá sempre ser padronizada.

    Às vezes mesmo com todo auxílio concreto a criança com dislexia poderá continuar apresentando dificuldades em realizar a tabuada. É útil reconhecer esta limitação e fornecer materiais que auxiliem o trabalho mental. O uso de réguas numeradas, calculadoras, tabuadas confeccionadas pela própria criança, é muito mais eficiente, do que manter uma angústia do não conseguir realizar um cálculo mental.

  • O valor da posição das casas numéricas deverá ser trabalhada com quadros de pregas, jogos confeccionados pelos alunos e professor, material curisineire ou material dourado. Procurar realizar as contas em papel quadriculado, determinando as casas de unidade, dezena, centena e milhar. O uso do computador também é outro recurso. Existem joguinhos e exercícios que podem ser adquiridos e usados, são os softwares educativos.

  • Os problemas de memória a curto prazo e as dificuldades de compreensão do sistema de valor da posição, podem dificultar. A ajuda mais adequada é ir guiando o manejo da conta: transportar o número, escrever em cima ou do lado qual numero que elevou ou tirou.

  • Outras complicações podem aparecer na divisão. Também é importante usar a forma passo a passo:

  • A troca, a inversão e a direção dos números acontece. Exemplo: 3 por 5, ou escrever em espelho, mudar a orientação. Requerem atividades com numerais em relevo, de diversas texturas. Nesta situação o que precisa ser trabalhado são as imagens mentais, funções sensoriais e cinestésicas. Exemplo: brincadeira de colocar vários números de diversos tamanhos e formas num saquinho e pedir para a criança vendada retirar um. Depois tateá-lo e escrever na lousa ou no papel. Estamos estimulando a imagem mental, orientação espacial e sensibilidade tátil-cinestésica.

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