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COTIDIANO DO ALUNO VS. EDUCAÇÃO MATEMÁTICA:
O CARTUN INVADE A SALA DE AULA (continuação)
Observando
o cartum mostrado na Figura 2, a primeira reação do leitor é a de um sorriso,
pois o cartunista encontrou uma forma de associar a classificação de ângulos
ao formato da cabeça de três personagens. Esta associação, por intermédio
do processo de identificação projetiva, permitirá, por um longo tempo, que a
criança lembre o que é um ângulo agudo, a partir do ângulo da cabeça da
personagem.

Figura
2. Gramática Matemática. Frank and
Ernest by Bob Thaves. Copyright 1994 by NEA Inc. Cartoon extraído do site www.csun.edu/~hcmth014/comicfiles
em 12/05/98.
É
importante frisar, no entanto, que a utilização deste elemento na sala de aula
deve ser feita de forma eficiente e envolvente, sob o risco de não desperdiçar
a potencialidade do mesmo.
Já na
figura 3, algumas pessoas inserem o cartum, intitulado Matematicamente
Derrotados, apenas para descontrair a turma de alunos e, em seguida, iniciam o
trabalho tradicional sobre o conjunto dos números inteiros. Ao meu ver, é
interessante e producente que o professor explore todos os elementos presentes
no argumento do cartum.
Podemos
verificar nesse exemplo que existem fatos relacionados com a Matemática e
outros não, o que torna necessário compreender bem a relação entre eles,
para tornar eficiente o entendimento da situação.

Figura
3. Matematicamente derrotados. Warped by Mike Cavna. Copyright 1991. Cartoon
extraído do site www.csun.edu/~hcmth014/comicfiles
em 12/05/98.
Portanto,
podemos explorar a contradição de matemáticos da Grécia Antiga formarem uma
equipe de baseball, quando esse esporte ainda não havia surgido (seria criado séculos
depois!). Outro fato importante, responsável pelo argumento do cartum, é a
representação dos números inteiros na numeração das camisas dos jogadores.
O técnico da equipe compara seus atletas ao nada. Essa situação equivale a
relacionar a posição dos números negativos em relação ao número zero,
interpretado pelo cartunista como o nada. É interessante levar aos alunos essa
discussão: a comparação entre números e a sua interpretação em determinada
situação.
A diversão
no momento da leitura, o aprendizado através do mecanismo de identificação
projetiva e a discussão trazida para a sala de aula são fatores que constroem
a consciência crítica dos jovens, fornecendo uma visão mais globalizada da
sociedade, extremamente relevante para a formação da personalidade.
Existem
diversas formas de trabalho utilizando os cartuns. Uma delas é dividida em três
etapas bem definidas: localização contextual, na qual se promove a compreensão
da situação apresentada e a problemática envolvida pelo argumento; a exploração
matemática, onde se estuda o ponto de vista matemático; a formação da
criatividade, em que o aluno, de posse do argumento matemático, pondera e opina
sobre a situação.
A construção
da consciência crítica do aluno, aliada ao conhecimento matemático responde,
pelo menos em parte, à eterna questão: ''Onde eu vou usar isso?'', ouvida
constantemente.
Referências
Bibliográficas
ABRAHÃO,
azis. Pedagogia e quadrinhos. In: MOYA, Álvaro de . Shazam .
São Paulo: Perspectiva, 1977.
BELUCO,
Adriano. Educação matemática x meios de comunicação: existe matemática
nos cartoons? Boletin da Sociedade Brasileira de Educação Matemática
RS. Ano 8, No 3, Novembro 1998.
CIRNE,
Moaci. A linguagem dos quadrinhos. Rio de Janeiro: Vozes, 1971.
COHEN,
Haron e KLAWA, Laonte. Os quadrinhos e a comunicação de massa.
In:MOYA, Álvaro de. Shazam. São Paulo: Perspectiva, 1977.
D'AMBROSIO,
Ubiratan. Educação matemática: da teoria à prática. Campinas,
SP: Papirus,1997.
________.
Da realidade à ação: reflexões sobre educação e matemática.
Campinas, SP: Summus, 1986.
Adriano
Beluco - Mestrando em sensoriamento Remoto na UFRGS, Professor Substituto do
Instituto de Matemática da UFRGS.
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