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PITÁGORAS (580-497 a.C.) |

"Prestem atenção: num triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa é igual
à soma dos quadrados dos catetos. Ou seja: a2=b2+c2.
Está claro?" O professor larga o giz e se volta para a classe: "pois este é o
enunciado do teorema de Pitágoras. Vamos passar agora à demonstração". Enquanto o
professor se vira de novo para o quadro negro, alguns alunos se entreolham: "E quem
foi esse Pitágoras?"
Um grego - o nome não engana ninguém. Um matemático - óbvio, caso contrário não
faria teoremas. Um gênio - claro, senão quem não se preocuparia com ele e seus teoremas
25 séculos após sua morte? Um astrônomo - bem, vá lá, astronomia e matemática sempre
andaram juntas. Mas Pitágoras foi mais que isso: conhecia também música, moral,
filosofia, geografia e medicina.
Pitágoras viveu há 2500 anos e não deixou obras escritas. O que se sabe de sua
biografia e de suas idéias é uma mistura de lenda e história real. A lenda começa
antes mesmo de Pitágoras nascer: por volta de 580 a.C., a sacerdotisa do deus Apolo disse
a um casal que vivia na ilha de Samos, no mar Egeu: "Tereis um filho de grande beleza
e extraordinária inteligência; será um dos homens mais sábios de todos os
tempos." No mesmo ano, o casal teve um filho. Era Pitágoras.
Lenda ou não lenda, a inteligência do jovem Pitágoras assombrava os doutos das melhores
escolas de Samos: não conseguiam responder as perguntas do moço de 16 anos. Nessas
condições, só havia uma coisa a fazer: despachá-lo a Mileto, para que estudasse com
Tales - o maior sábio da época, provavelmente o primeiro grego a se dedicar
cientificamente aos números.
Adulto, Pitágoras resolveu ampliar seus interesses. E começou a somar, além dos
números, idéias sobre a ciência e a religião de outros povos. Acreditando que era
preciso ver para crer, arrumou as malas e disse "até logo" a seus patrícios:
foi à Síria, depois à Arábia, à Caldéia, à Pérsia, à Índia e, como última
escala, ao Egito, onde passou mais de 20 anos e se fez até sacerdote para melhor conhecer
os mistérios da religião egípcia. Dizem que quando Cambises conquistou o Egito,
Pitágoras foi levado em cativeiro para a Babilônia. Curioso como era, o grego aproveitou
a chance para descobrir em que pé andavam as ciências naquele país.
Muito tempo tinha passado e Pitágoras já dobrava a curva dos 50. Seu desejo era voltar a
Samos e abrir uma escola. Mas Samos tinha mudado e o ditador Polícrates, que governava a
ilha, não queria saber nem de escolas nem de templos. Aí Pitágoras seguiu adiante, a
Crotona, no sul da Itália, onde as melhores famílias da cidade lhe confiaram
prazerosamente a educação de seus filhos. E Pitágoras pôde, por fim, fundar sua
escola, onde passou a ensinar aritmética, geometria, música e astronomia. E, permeando
essas disciplinas, aulas de religião e moral.
Mais que uma escola, Pitágoras conseguira criar uma comunidade religiosa, filosófica e
política. Os alunos que formava saíam para ocupar altos cargos do governo local; cientes
de sua sabedoria torciam o nariz antes as massas ignorantes e apoiavam o partido
aristocrático. Resultado: as massas retrucaram pela violência e - segundo dizem uns -
incendiaram a escola, prenderam o professor e o mataram. Outros são mais otimistas:
contam que Pitágoras foi só exilado para Metaponto, mais ao norte, na Lucânia, onde
morreu, esquecido mas em paz, com mais de 80 anos de idade.

Assim se demonstra o teorema de Pitágoras: somando os quadradinhos
dos quadrados menores, que correspondem aos catetos, vê-se que seu número é igual aos
do quadrado maior, cujo lado constitui a hipotenusa de um triângulo.
"Tudo são números"
Pitágoras imaginava os números como pontos, que determinam formas. E o Universo,
o que é, senão um conjunto de átomos, cuja disposição dá forma à matéria?
De qualquer modo, Pitágoras não se contentava em dizer frases; demonstrou que era
necessário provar e verificar geometricamente um enunciado matemático, ou seja,
expressá-lo como teorema. E formulou vários, além daquele mais conhecido. Por exemplo:
a soma dos ângulos internos de um triângulo é igual a soma de dois ângulos retos
(a+b+c=180º); a superfície de um quadrado é igual a multiplicação de um lado por si
mesmo. Donde a expressão "elevar ao quadrado": 2x2=22; o volume de
um cubo é igual à sua aresta multiplicada três vezes por si mesma: 2x2x2=23,
o que originou a expressão "elevar ao cubo".
Pitágoras também mostrou que música e matemática são parentes: o comprimento e a
tensão das cordas de uma lira, por exemplo, podem ser convertidos em expressões
matemáticas.
O gênio de Samos era um homem religioso, acreditava na transmigração da alma: quando um
homem morre, sua alma passa para outro ou para um animal. Só pela vida "pura" a
alma poderia libertar-se do corpo e viver no céu. E vida pura significava, para
Pitágoras, austeridade, coragem, piedade, obediência, lealdade. Dizia a seus alunos:
"Honra os deuses sobre todas as coisas. Honra teu pai e tua mãe. Acostuma-te a
dominar a fome, o sono, a preguiça e a cólera". Mas acreditava igualmente numa
série de superstições: não comer carne por causa da reencarnação, não comer favas,
não atiçar o fogo com ferro, não erguer algo caído do chão.
Melhor meio de purificar a alma, ensinava Pitágoras, era a música. O Universo - afirmava
- era uma escala, ou um número musical, cuja própria existência se devia à sua
harmonia.
Como astrônomo, seu principal mérito foi conceber o Universo em movimento. Como teórico
de medicina, achava que o corpo humano era constituído basicamente por uma harmonia:
homem doente era sinal de harmonia rompida. Como filósofo, deu origem a uma corrente que
se desenvolveu durante os séculos seguintes, inspirando - entre os principais pensadores
gregos - inclusive o famoso Platão.
Bibliografia: Dicionário Enciclopédico Conhecer - Abril Cultural
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